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14/04/2004 00:49
~ a rosa ~

saudade
Eu escrevia poesia para me sentir viva, ou para tentar codificar o que sentia... conheci a poesia do modo errado... por necessidade, e por isso não fui longe, além. O poeta disse faço versos como quem chora... de desencanto, algo assim... chorava cada gota uma letra.. assumo que me dignifiquei por isso, porém o que me eleva não é o que me dá poder... não tenho domínio sobre as palavras... poesia, arte, não é feita no encanto, é de muito trato, delicadeza, e técnica (ouso usar essa palavra dura, seca). Hoje sou de menos lágrimas, as letras já me abençoaram, enxergo-me além do meu alvoroço interno, e agradeço aos sentimentos puros e a compreensão, a poesia... porém é me chamada a responsabilidade, talvez, por benção, ou simples natureza das coisas, o que era devaneio, desespero, ficou contido, muito pensado não vejo mais poesia sem ver seu ritmo, sua cadência, a forma como o tema se enrosca nas palavras, e enlaça quem o beija seu som... fui tomada por uma força chamada experiência, erros, aprendizado, e uma outra que ainda estou a reconhecer e me assustar, crescimento. Não que este tome do homem a virtude de um bom verso, ao contrário, causa grandes rubores aos maus. E assim, apenas tomei certa vergonha na cara de estar sempre nua, exposta em minhas idéias em frente a todos; tenho feito escolhas demais, estando chamada a responsabilidades menos cabíveis dentro de letras, versos e metáforas, a vida tem me chamado mais ao chão... Não tenho escrito, ou me arriscado, a escrever poemas. Não tenho ao menos tentado ser poeta.
São por estes, e outros inventados motivos que agora tenho deixado secar a lúpia, o lúpia... a lírica tenho relutado (enfim deve ser a batalha de um bom amante da vida)... mas muito além destas palavras, destas desculpas atravessadas, muito além da literatura, dos versos, da arte... está a magnitude, e aquele tal encanto, ou agonia, que faz nós, seres humanos, amantes, querer acima de tudo, do céu e da terra, dos homens, querer falar ao vento, e sobrepor todas os chãos e o tetos, da memória, da vida presente, do sentimento, da criação... o querer ser, ir além desse ser, ir além, além do que se possa imaginar, ser puramente sentido, ser puramente eu...
E poesia é isto? Poeta é aquele que sonha? É este que devaneia? Que seja sim ou não... viver, amar, poetizar, morrer é muito além do que podemos transfigurar em letras.
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Venho para beijar a tua boca
Sinto falta do teu gosto,
Poesia
Tenho a vida como amante sim,
Deixo-te com aquela dor sufocante
Te aperto aqui no meu peito
com desespero os últimos beijos
Mas há sempre aquele sonho nosso,
aquele jeito de morrer para eternidade
...
É sempre ilusão o findar das coisas
Beijar, amar, desesperar, poetizar
É sempre fazer amor, apaixonar-se
de novo
Viver saudades, devaneios.
~ carine helena medeiros ~
enviada por {eSSenCia}
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