~ lúpia lírica ~










06/02/2004 02:05
~ fOlhaS ~

Sobre o amor

Eis a vida pulsando. Sobre ela perdura a verdade – quero teu olhar, quero o meu olhar te olhando. Estou aqui e escrevo, é um momento de realização, eu escrevo, mas, escrevo para, ou sobre ela mesma, pulsar. Estamos vivos... a alma, o corpo. A vontade de que estejamos. Estamos em luta, queremos mais. Eis o impulso. Sobre-viver. Viver além da vida. Queremos mais. O toque, o sentindo, a busca cega mas lícita: a verdade. Somos mais. Além dessa forma, dessa letra, dessa limitada linha que me é dada... os sentidos não são estes. Não quero escrever sobre o nada, dissertar sobre o ritmo e som da minha veia. Quero ser verdade. A que sobrevive ao bruto e inevitável apagar do tempo. Não sou a ínfima que morre ao medo de ser esquecida, este não me mata, mas joga-me a clareza do dever e ser de cada um. Não me sujo de vaidade. Quero amor porque é natural como o sangue que desce entre minhas pernas e não é feio. È sinal, é vida. Como ousam pensar “impura!”? Somos férteis e o amor é nosso balsamo, nossa benção, nosso rito purificador, nosso único instinto não animal. Intrínseco, vivaz. A verdade, a sina, a beleza, a salvação. Fluido vital. Eu amo, e por isso mordo os meus lábios de dor e sei a dor tão linda como a dor do parto. Fui parida, e trago em mim a luz da vida – sei a verdade e a quero. Quero pulsar.

enviada por {eSSenCia}






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